1.Os protestos pacíficos contra o regime de Bashar al-Assad começaram na primavera de 2011. Damasco reagiu com enorme violência contra a sociedade civil que defendeu nas ruas das cidades sírias um novo contrato constitucional para o país;

2.Esta violência contra a população civil aumentou durante a guerra pelo controlo do país. Alepo, uma cidade completamente devastada, e a terrível prisão de Saydnaya a 25 quilómetros de Damasco são os exemplos mais visíveis desta opção política. O regime de Bashar al-Assad e os seus aliados têm usado bombas de fragmentação e de fósforo branco de forma sistemática e indiscriminada contra civis. É altamente provável que Damasco também tenha usado armas químicas. (O Daesh também terá usado estas armas)

3.A Síria tinha uma população de 21,5 milhões de pessoas. Cerca de um quarto – 5 milhões – fugiu do país nos últimos quatro anos. Dos 16 milhões que permaneceram, 6 milhões tornaram-se refugiados internos. 

4.Apesar das mudanças demográficas, a população sunita continua a ser claramente maioritária na Síria – cerca de 61 por cento. Os alauitas, cristãos e drusos representam apenas cerca de 22 por cento. Como é que se explica então a capacidade de Damasco resistir numa guerra civil tão longa e violenta perante uma inferioridade demográfica tão evidente? 

5.O regime de Bashar al-Assad tem tido o apoio das milícias do Hezbollah, de unidades dos Guardas Revolucionários do Irão, da Força Aérea e das forças de operações especiais russas. Estas intervenções externas têm feito toda a diferença a nível táctico e operacional. O Kremlin permite a Damasco controlar os céus. Contudo, isto não explica tudo;

6.Conclusão: apesar das intervenções externas de capitais sunitas como Riade, Doha ou Ancara contra Bashar al-Assad, uma parte da elite e do que foi a classe média sunita urbana na Síria chegou à conclusão que é melhor aceitar, tolerar o regime de Damasco ou esperar para ver quem é que está melhor posicionado nesta longa guerra de atrito.